quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Apaixone-se!

Há quem diga que estar apaixonado nos faz enxergar o mundo com outros olhos, por uma outra perspectiva. Mas apaixonar-se não é para qualquer um. Não é para quem quer, para qualquer amador. Apaixonar-se é para quem gosta de desafios, é virtude dos corajosos. Apaixonar-se é para aqueles que estão dispostos a enfrentar o desconhecido, a se expor, a tornar-se vulnerável, seja por uma vida inteira ou apenas por um momento. Apaixonar-se é para aqueles que abrem mão de ter controle sobre as situações, se dispõem à encarar o desconhecido e têm a audácia de se permitir experienciar um mundo cheio de possibilidades, sabendo que dentre elas possa ser necessário lidar com frustrações. Apaixonar-se é para aqueles que sabem reconhecer que toda conquista tem seu preço, para aqueles que têm medos, mas não se deixam dominar por eles e se permitem ser feliz. Portanto, desafie-se: apaixone-se! Pela vida, por sua família, por seu cachorro, pelo seu trabalho, por alguém. Aceite a ideia de que o futuro é incerto, e podemos perder nossa paixão, assim como mudar de paixão, mas o que não podemos é viver em apatia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O tempo havia passado, mais do que eu calculara.Virei de imediato para me despedir e, pela primeira vez em muito tempo, eu realmente fui pega de surpresa. Era como se ele já estivesse calculando tudo, só esperando uma oportunidade.
...
Era um dia quente e ensolarado quando o avião pousou. O piloto anunciara a temperatura: 30º. Eu estava ali apenas de passagem, minha estadia não duraria mais do que 1h e isso me deixava ainda mais ansiosa. Cada minuto deveria ser muito bem aproveitado. Desci do avião e me segurei para não sair correndo até o portão de desembarque. Qual não foi minha surpresa quando, ao atravessá-lo, não avistei nenhum rosto amigo. Ele não estava esperando como eu imaginei - pra não dizer idealizei - que seria. Sentei-me em um banco proximo a porta de entrada do aeroporto e meus olhos alternavam desesperadamente entre ela e o relógio. "Cadê você?" perguntei por sms, fingindo pouco caso. "Já estou chegando" ele respondeu. Torci para que isso realmente fosse verdade.
Encostei no banco fingindo serenidade, mas em vão já que, inquietas, minhas pernas me denunciavam. De repente, ao girar minha cabeça de um lado para o outro eu o avistei. Meu coração começou a bater descompassadamente, um sorriso se estampou em meu rosto e eu paralisei, sem saber se ajudava-o a encurtar a distância entre nós ou o deixava fazê-lo sozinho. Optei pela segunda opção, ou melhor, não tive escolha, já que mal conseguia pensar. Vi meu sorriso refletido em seu rosto exibindo a mesma felicidade que morava em mim. Nos cumprimentamos com um abraço e um beijo no rosto, mas com os olhos sempre fixos, sempre decifrando um ao outro.
Ele logo começou a se desculpar pela demora mas eu não conseguia pensar em mais nada a não ser no quanto me sentia feliz por estar ali. Conversamos um pouco e então ele pediu que eu o acompanhasse até seu carro, no estacionamento, pois esquecera meu presente lá.
Na volta, andando lado a lado, sua mão se encontrou e entrelaçou a minha. Me senti na descida de uma montanha russa e minha barriga parecia estar cheia de borboletas. Sem pensar, respondi segurando e apertando sua mão, quase como um pedido de que ele nunca mais a soltasse. As palavras eram desnecessárias, nossos gestos falavam por si mesmos. Sentamos então em uma cafeteria e conversamos por alguns minutos; mal vimos o tempo passar.
Ao subir para a entrada da sala de embarque, procurei meu voo na tela de horários e levei um susto quando vi que ele já se encontrava em última chamada. Um desespero tomou conta de mim e a única coisa que eu conseguia pensar era que precisava correr ou perderia o voo. Virei de imediato para me despedir e, pela primeira vez em muito tempo, eu realmente fui pega de surpresa. Era como se ele já estivesse calculando tudo, só esperando uma oportunidade.
Assim que virei para me despedir, sua boca encontrou a minha e, com um sutil movimento, seus braços me entrelaçaram e puxaram para mais perto. Não resisti, apenas me deixei levar pelo momento. Eu mal conseguia pensar e o tempo parecia ter parado... Mas eu sabia que só parecia. Lembrando-me do horário, o empurrei delicadamente, olhei em seus olhos e eles refletiam uma alegria que palavras não conseguiriam descrever. Sorrimos mutuamente, sabendo que todos aqueles sentimentos eram compartilhados e recíprocos. "Eu te amo" sussurrei. "Eu também" ele respondeu, curvando mais ainda os cantos da boca para cima.
Sem conseguir dizer mais nenhuma palavra e contra a minha vontade, corri até o portão da sala de embarque. Coloquei minhas coisas na esteira, para passarem pelo raio-X e, antes que eu as pegasse de volta, olhei uma última vez para trás. Ele estava parado, no mesmo lugar, com os braços cruzados e me encarando. Trocamos um ultimo sorriso, um último olhar... Então peguei minhas coisas e voltei a correr para não perder o avião.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Adeus, então.

"Era você que estava faltando para eu ficar feliz". Foram as palavras que li na caixa de mensagens do meu celular ao acordar naquele dia frio de inverno. Ainda não havia terminado de ler, meu rosto foi preenchido por um sorriso. Li e a reli várias vezes, sorrindo feito boba em cada uma delas, antes de levantar-me da cama.
Era quase meio-dia. Você estava no trabalho e eu, em sua casa, contava as horas e os minutos pra te ver novamente. Sentir teu cheiro, seu abraço, seus olhos perdidos nos meus. O dia pareceu correr vagarosamente até que, ao término do pôr-do-sol, você apareceu. Te vi pela janela da sala, com seu traje social. Embora cansado e "bagunçado", como costumava dizer, você estava lindo. Não pude conter o sorriso, finalmente poderia matar a saudade. Corri e te envolvi em abraços e beijos que, carinhosa e alegremente, você correspondeu.
Entre as poucas lembranças que minha limitada memória me permitiu guardar, esta é uma das mais fortes que tenho, tão vívida, como se tudo tivesse acontecido ontem. Mas já fazem anos e por algum motivo eu ainda não consegui simplesmente deixar de lado.
Não existe qualquer mal entendido: todos os pingos já foram colocados em seus respectivos "i's", toda vírgula já foi substituída por um ponto final. Como você está? O que tem feito? Você sente minha falta? Como você tem lidado com tudo isso? Encontrou alguém que te complete? Tantas perguntas se passam por minha cabeça, e acredito que você jamais irá conhecê-las. Melhor assim: você aí e eu aqui. 
Você já sofreu demais com toda essa história, não é mesmo? Eu também. Mentiria se dissesse que não sinto nem um pouco sua falta, ou então de me sentir apaixonada, ter a quem direcionar meus sentimentos e pensamentos.
Hoje me peguei pensando em toda essa  história maluca que foi a nossa, mais precisamente no que nos juntou. Lembrei das conversas, dos pensamentos, dos momentos... É incrível como tínhamos muito em comum. Eu adorava principalmente as nossas conversas, o compartilhamento das nossas filosofias de vida. Elas me fazem falta. Bem como sua amizade, bem como seu sorriso e o calor do seu coração. "Éramos incomparáveis e imbatíveis juntos, unidos, jovens, sonhadores, cheios de amor e paixão, carinhosos, românticos, inteligentes, educados... casal modelo era uma descrição aceitável, mas ainda de muito baixo nível." foram suas palavras para nos descrever uma certa vez. Mas assim como nossa história e suas promessas, isso também ficou perdido no tempo, não é?
Enfim, não quero tomar muito do seu tempo, passei apenas para dizer adeus. Eu sei que você já trilhou o seu caminho, na verdade, hoje isso é tudo o que sei sobre você. Eu costumava reconhecer o seu sorriso, o tom da sua voz, o conteúdo escondido nas entrelinhas de suas palavras, os seus pensamentos, seu jeito... Realmente costumávamos quebrar as regras da matemática, onde somando um + um = um (eu + você = nós) , mas hoje a contraríamos de outra forma, onde um + um = 0, e você é um estranho pra mim. Eu amava quem você era... Ou talvez apenas amasse a idealização que tinha de você. Espero que você esteja bem, que esteja feliz, onde quer que esteja e quem quer que hoje seja. Então... adeus.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não se culpe ou se arrependa quando falar sobre seus sentimentos e eles não forem expressamente correspondidos. Nunca devemos nos arrepender por demonstrar as pessoas o quanto nos importamos com elas, erramos apenas quando deixamos que elas maldosamente tirem vantagem disso.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Desabafo

A gente erra por esperar dos outros mais do que eles tem a oferecer; bem como os outros erram quando esperam e reivindicam de nós mais do que aquilo que, no momento ou mais além, possamos dar. A vida é baseada em trocas: nos relacionamentos, nas compras, nos negócios, no ecossistema. Todos tem sempre algo a oferecer, e algo que quer ter. Mas um "produto" que está em falta no "mercado", e me admira que algo tão simples seja comprado e até negociado e poucos estejam dispostos a simplesmente dar, a simplesmente amar. Mas a verdade é que talvez estejamos procurando nos lugares errados, nas pessoas erradas... nas pessoas. Nós só podemos dar daquilo que temos, seja pouco ou em abundância. E a verdade é que a única fonte inesgotável de amor, de onde flui o verdadeiro amor - não o que nós DIZEMOS ter, com palavras vazias de ação, não o que nós achamos existir aqui - é em Deus. Já tive muitas certezas na vida, mas hoje as únicas que tenho é que um dia partirei desse mundo e dele nada levarei e tudo o que deixar de matéria será engolido pelo tempo, mas o bem que fizer, esse será mantido vivo em cada coração o qual eu conseguir alcançar. A outra é de que a verdadeira e única paz só podemos encontrar nEle. Procurei preencher um certo vazio, conhecer um outro lado, com amigos, conversas, festas, relacionamentos, e só o que encontrei foi frustração, culpa, dor e sofrimento. Da mesma forma que quem buscou encontrar isso em mim possivelmente, em algum momento, se deparou com as mesmas mazelas, afinal, eu sou humana, como qualquer outro, fadada ao erro, a imperfeição.
Dizem que não importa quantas vezes você caiu, mas quantas se levantou e seguiu em frente. Mas a verdade é que cada queda leva a um abismo mais profundo do que o outro, tornando, consequentemente, um levantar mais difícil do que o outro. Eles não contam também que nesses momentos você, com muita sorte, encontrará um ou outro pra te ajudar, mas muitos simplesmente te julgarão pelos erros que você cometeu. E é apenas o que farão. É incrível como as pessoas, nessas horas, se esquecem rapidamente das ações e demonstrações de amor e carinho que você exprimiu... É  tão forte que até você mesmo chega a se questionar da existência delas. Mas eles não ligam. Bem como você mesmo muitas vezes não se importou em aprofundar-se no motivo do erro do outro. Todos erram, muitas vezes nos mesmos pontos, mas poucos se dispõem a enxergar isso. E no final, meu amor, quando tudo der errado, quando você errar de todas as maneiras possíveis, você descobrirá quem realmente te ama e estará ao seu lado o tempo todo. Sua família... e o quem nunca nos abandona e único que pode nos dar forças para continuar: Deus. 
A vida não é generosa com todos, mas isso não é desculpa para que não sejamos com os outros. Enquanto continuarmos esperando o agir do outro para nos movimentarmos, então realmente, colheremos apenas dor e frustração. Mas quando buscamos nos afirmar em Cristo Jesus, aquele que nos deu à vida, então seremos mais completos. Não é fácil. Não será fácil. Ninguém disse que seria. Mas ou você encara a vida, ou ela te engole.

domingo, 1 de julho de 2012


"Há duas dores: a primeira é a dor da perda. Já a segunda é a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem um sentimento especial"

sábado, 30 de junho de 2012

Faz marra, diz que não quer mais saber, que esqueceu e seguiu em frente mas ainda age tentando impressionar, querendo mostrar estar por cima, o olho ainda corre procurando aquele nome na lista de contatos. Só podemos afirmar ter superado algo ou alguém quando aquilo não passa de mera lembrança ocasional, caso contrário meu bem, o passado ainda é presente.
A verdade é que é difícil largar, dizer adeus para aquilo que nós sabemos que deve ir, mas não queremos que vá. Acredito que devemos enfrentar nossos medos e desejos de frente, encará-los até que entendam quem é que manda e superá-los. Mas há quem diga que quando o enfrentamento e a mudança gradual e negociável não são possíveis, quando não somos fortes o suficiente para seguir em frente, é necessário ser radical. Cortar de vez, sem desculpas, porque's ou avisos prévios. Sou obrigada a concordar. 



quinta-feira, 24 de maio de 2012

E a saudade?

E se alguém souber, responda-me por favor: e quando a paixão se esvai; o medo some e o ciúmes parte, mas deixa para trás a saudade? Talvez cuidássemos mais de nossos relacionamentos se soubessemos as consequências irreparáveis que certas decisões podem desencadear.
Eu confesso: eu te amo. Desejo sua presença no meu dia-a-dia; compartilhar momentos; sentimentos; acontecimentos. Desculpe-me a confusão: te quero pra sempre ao meu lado, mas não como está pensando. O amor é mais do que eros; tem a capacidade de assumir variadas formas e expressar-se como amigo, irmão, chegado, família.
Tenho por ti esse apreço imenso, esse desejo de querer bem - e com a distância - essa saudade de algo que falta. Falta sua risada, sua cara feia, suas brincadeiras, seu carinho, sua preocupação. Falta sua amizade, seu companheirismo, seu viver despreocupado.
É verdade que todos os relacionamentos deixam marcas. Alguns deixam traumas. O seu deixou saudade. Foi mais do que uma experiência, são mais do que lembranças. Foi crescimento; compartilhamento; solidificação. Nasceu; cresceu; evolui; caiu; Morreu. Mas criou frutos afetivos, laços que vão além de uma frustração; ultrapassou barreiras e se eternizou no carinho.
Tomo a liberdade de encaixar-te em meu círculo de amizades; em meu círculo de chegados; de "por quem vale a pena sofrer"; de "eu amo como minha família". Como um irmão.
Onde estiver, estarei orando por você, pelo seu bem, desejando verdadeira e incansavemente sua felicidade.
A vida nem sempre segue como queremos. Mas nos ensina como ninguém.
Sou grata por toda a caminhada que pude desfrutar ao seu lado, por todo o crescimento que pude ter com a nossa história, pelo privilégio de conhecer tão bem alguém tão especial.
"Maybe someday I'll see you again, and you'll look me in my eyes and call me your friend".

sábado, 19 de maio de 2012

Mude.

Mude. Devagar, radicalmente, um pouco, rapidamente... Da maneira como preferir, mas não tenha medo de mudar. Há sempre algo em nós que pode ser melhorado; aperfeiçoado; modificado. Há sempre algo a ser descoberto, desvendado, explorado. Mas olhe bem seus motivos... Faça isso por você! Porque os outros também mudam, os outros também mudam de opinião, os outros têm a vida deles para cuidar (embora alguns não tenham percebido isso). E a questão é que quem terá que conviver 24h com você, é você mesma. Quem irá pagar pelas consequências e lidar com os seus problemas é você. Então não deixe que te digam o que fazer; deixe que te aconselhem, que te ajudem, que se importem, e sempre que possível retribua, mas não deixem que vivam sua vida por você. Não seja tão resistente, não insista em segurar e guardar as velhas memórias; as velhas lembranças. Elas jamais deixarão de fazer parte da sua história, mas deixarão de aprisionar sua vida com sentimentos que fazem doer. Mudar não é perder a essência, não é tornar-se outra pessoa, mas manter o que é bom, escolher seguir em frente.. É, no sentido em que a emprego, crescer. Ela pode ser sinônimo de alegria, felicidade, paz; liberdade! Depende apenas do rumo que damos a ela.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O que não mata, fortalece.

"Cuide bem do seu amor, seja quem for" é o que canta o vocalista da banda Paralamas do Sucesso em uma de suas músicas. Eu estenderia essa frase no para cuide bem do seu amor, dos seus amigos, da sua família, seja quem for. 
A gente tem essa mania prepotente de achar que sabe tudo da vida, que é uma ótima pessoa, que quem tem defeitos são os outros, que a desgraça só acontece na casa ao lado e o protagonista-injustiçado daquele filme mamão-com-açucar somos nós. Acreditamos que, como em um filme, no final tudo dará certo, seremos recompensados e felizes para sempre. Essa afirmação é verdadeira em partes.
O que esquecemos é que, quanto seres humanos - e não meros personagens - somos responsáveis por nossos atos, pelas consequências de nossas ações. Dessa maneira, somos responsáveis sim por boa parte das impressões que as pessoas a nossa volta formam sobre nós e como as fazemos se sentir. Mas ninguém melhor do que a própria vida para nos ensinar, pelo amor ou pela dor, o que PRECISAMOS - e não necessariamente queremos - aprender.
Um dia me disseram que eu só daria valor as pessoas que tinha ao meu lado, e seus esforços em meu benefício, quando as perdesse. Revoltei-me diante de tal afirmação que soou como um insulto para mim. Como alguém ousava dizer-me que eu não valorizava as pessoas que tinha por perto, pessoas eu tanto amava e - no meu ponto de vista - fazia de tudo pelo bem das mesmas? Na minha opinião elas estavam redondamente enganadAs. Mas a verdade é que não preocupei-me deveras, afinal, estava segura de que eles jamais sairiam do meu lado.
Mas "a vida é uma caixinha de surpresas". Chegou o dia em que eu de fato perdi pessoas que jamais me imaginei sem. Elas não morreram, não mudaram de cidade nem nada do gênero, apenas afastaram-se (o que intensificou ainda mais a dor).
Tal acontecimento obrigou-me a analisar e reanalisar incansavelmente a pessoa que vinha sendo até então, buscando os erros, defeitos que me fizeram chegar até onde cheguei. Para surpresa da minha orgulhosa ignorância percebi e, não com facilidade, admiti que merecia passar pelo que estava passando; estava apenas colhendo os frutos do que anteriormente semeára. Infelizmente não havia o que eu pudesse ser feito para alterar o que acontecia e a única alternativa era lidar com as consequências. 
Compreendi, no entanto, que aquilo singnificava muito mais do que a perda de pessoas que amava muito, do que praticar o desapego, aprender um pouco mais sobre si: era um alerta de que alguma mudança precisava ser feita. Demorei-me em aceitar tal pressuposto e acatá-lo. Mas foi o que me fez uma pessoa melhor. 
Quase como um desabafo, e mesmo não sabendo se as referidas pessoas um dia verão isso, eu só tenho a agradecer. Primeiramente, por em todo o tempo de convívio, mesmo com alguns desentendimentos, terem sido amorosas, carinhosas e cuidadosas comigo em muitos momentos, muito mais do que eu merecia. Em segundo porque me ensinaram com suas palavras, conselhos e até mesmo "broncas" muito mais do que elas mesmas imaginam. Em terceiro, porque mesmo o distanciamento dolorido me fez enxergar coisas que eu talvez jamais conseguiria ter enxergado sem tal acontecimento. A saudade e o carinho irão sempre existir, mas surpreendendo-me uma vez, sei que o amanhã me surpreenderá ainda muitas outras, pelo menos assim espero.
"Forte não é necessariamente aquele que anda pela estrada da vida sem cair, mas aquele que, caindo, encontra forças para levantar-se e aprende com sua queda, aprendendo a evitá-la, proteger-se contra ela e não cometê-la novamente. Pode até ser que caia novamente, mas não na mesma pedra. O adulto que perfeitamente caminha hoje já foi uma criança que, até obter êxito em manter-se em pé e aprender a ritmizar seus passos, rastejou, engatinhou, bambeou e caiu e hoje está em pé porque não entregou-se a queda e não desistiu."

terça-feira, 20 de março de 2012

 
Encontrou-a solitária sentada à sombra de uma árvore, à beira do gramado "campinho de futebol" da universidade. Chegou sorrateiramente, não querendo distrair-lhe demasiado a atenção.


- Olá... - falou com uma voz calma e amigável. Sentiu os olhos curiosos da menina o analisarem por alguns segundos antes de responder-lhe com um sorriso, expressando uma sincera alegria em vê-lo.
- Oi! - respondeu docemente a pequena menina de olhos azuis.
Sem delongas, ele logo posicionou-se a seu lado, com os joelhos dobrados e envolvidos por seus braços. Como quem não quer nada, olhando para o horizonte, perguntou:
- Qual o problema de hoje?
Ela o encarou por um instante, com um ambíguo olhar de dúvida e aprovação. Voltou a fitar o horizonte.
- Por que você acha que existe algum problema? - e logo tendo concluído a frase, pôde ouvir um breve sorriso. Não precisava girar a cabeça para saber que ele expressava um sorriso de canto de boca. Sem movimentar-se em sua direção, ele retrucou:
- Quando quiser.
Ela suspirou. Sabia que não adiantava tentar esconder ou bancar a durona. Não com ele, que a conhecia tão bem, por muitas vezes, melhor do que ela mesma. Manteve silêncio por alguns minutos. Sua boca abria-se como se quisesse dizer algo mas era traída pela censura de seus pensamentos e dificuldade em encontrar as palavras certas, que levavam-na a cerrar novamente os lábios.
- Eu não entendo - começou e fez uma breve pausa, como quem ainda procura organizar as ideias - Tanta coisa acontecendo e, justo eu que sempre me achei resolvida, achei saber lidar com os problemas, me vejo perdida, escrava de meus sentimentos e emoções...
- Ressentir - falou o rapaz com uma voz serena, atropelando os pensamentos da moça.
- O que? -   questionou verdadeiramente surpresa.
- Quanto tempo já se passou? - indagou-a olhando firmemente em seus olhos.
- Do que você esta falando? - olhou-o confusa.
- Veja - continou ele - as pessoas sabem que o lembrar e relembrar só mantém viva a memória e, consequentemente, a dor. Elas sabem que se procurarem, encontrarão... Mas insistem em buscar o que não lhes acrescentará algo. Uma desculpa para desvencilhar-se da culpabilidade e consequência de seus atos, como se o único a ferir-se com um erro fosse o próprio ego e o outro fosse isento de sentimentos e vida. É verdade que o sofrimento é um componente em estado gasoso - não importa o tamanho, ele ocupará todo o espaço possível - mas deixar que ele permaneça, na maioria dos casos, é uma opção.
Ela o encarava com uma incredulidade superficial. Sabia que por detrás de todas aquelas palavras aparentemente grosseiras e rudes havia um coração que buscava ajudar e consolar... E que estava certo.
- É possível aprender e crescer com todos os passos que damos. Basta estarmos aptos a isso. Basta estarmos aptos a olhar e seguir em frente. Eu sei que a teoria é muito mais fácil do que a prática, mas viver é uma questão de escolha. Quando um furacão assola uma comunidade ou cidade, leva sempre consigo pedaços de algo que já foi concreto e sólido e deixa seu rastro - a bagunça, os estragos, a destruição. E, em certos momentos da vida, é assim que nos sentimos: tomados por um furacão, desolados e desorientados após a turbulência. Sabemos, porém, que é necessário organizar o lixo e reconstruir o que foi destruído. Descobrimos, quase que por acaso, uma nova forma de olhar o mundo, de valorizar e cuidar do que temos. Não será possível recuperar o que já foi, mas há a possibilidade de construir algo novo e, porque não, melhor!? Não importa que furacão mexeu com suas estruturas - falou em tom de brincadeira - não se deixe abater por isso. A vida é feita de mudanças, movimentos. "Em um eletrocardiograma a linha reta anuncia a morte".
Ela sorriu. Ficaram ali os dois a encarar o vasto e, nesse momento, vazio campo.