terça-feira, 2 de agosto de 2016

We'll make a memory out of it

Há alguns anos atrás cometi uma loucura. Me apaixonei pelo meu melhor amigo.
Saímos pra correr. Ele atlético, eu fora de forma. Ele trotava tentando acompanhar minhas pernas curtas e passos lentos demais. Eu tentava fazer o ar chegar aos pulmões. Procurava fôlego."Acho melhor caminhar..." Ele riu. Vamos com calma. No seu tempo. Como você quiser. Mal sabia que essa forma de lidar comigo resumiriam os próximos 3 anos e meio. Como eu iria imaginar? Éramos apenas amigos.
Saímos para jantar. Ele escolheu. Vai ser comida japonesa. Como se segura um hashi? Meu Deus, eu sou um desastre! Mas tudo bem, eu não me importava. Ele também não. Éramos próximos o suficiente pra não nos incomodarmos com esse tipo de coisa. Ficávamos a vontade na presença do outro. A noite passou rápido até demais. Rimos. Comemos. Conversamos. Nos divertimos.
Mas a noite acabou. É hora da despedida. Te vejo amanhã! Então tchau. Espera... Não... Não a mesma despedida de sempre. Dessa vez com um beijo, um beijo de verdade. Fui pega de surpresa. Eu, que nunca acreditei em beijo roubado. O que aconteceu? Eu beijei meu melhor amigo! Ou melhor, ele me beijou. Que diferença faz? E agora? Estava feliz demais pra me preocupar. Estaria eu de fato apaixonada? 
Chegou amanhã. Vamos correr. De novo. Hoje o cumprimento é beijo no rosto. Não. Quero o mesmo de ontem! Afinal, por que não, não é mesmo!? Os dias passaram. Nos aproximamos ainda mais, mesmo quando achávamos que isso não fosse possível. Os dias voaram, ficamos juntos... trocamos olhares, carinhos, abraços, mais beijos, sorrisos e sentimentos. Saí de férias, viagem marcada, peguei o voo. Tão longe, sentia saudade. Onde você está? O que está fazendo? Quero voltar correndo! Sentimento recíproco. 
Mas ali tão longe, sem nada para fazer, comecei a pensar. Tive medo. E se não der certo? E se eu te perder? E se eu te machucar? Acho melhor terminar. Ele não entendeu. "Agora já estou demasiado envolvido. Nos dê uma chance". Ele estava certo. Vamos tentar. Mas Brandon Flowers as vezes insistia em minha cabeça "it was only a kiss, how did it end up like this? It was only a kiss..."
Voltei de viagem. Ele me esperava no aeroporto... Sorriso no rosto e abraço apertado. Felicidade compartilhada. Era assim cada vez que eu voltava de algum lugar. Os dias seguiram, e aquela paixão incontrolável. Preciso estudar/me concentrar! Será que essa euforia uma hora vai passar? Sim, ela passou. Ufa! A paixão ardente deu lugar a um amor calmo e tranquilo. Compartilhamos ideias, planos, sentimentos, abraços, sonhos. Construimos os "nossos": nossos sonhos, nossos planos, nossas vontades, nosso jeito de ser. Nos adaptamos. Discutimos. Fiquei brava porque ele não sabia me dizer não, ele brigou comigo porque eu também não sabia fazer isso. Erramos. Nos perdoamos. Nos amamos. Nos suportamos - fomos suporte um ao outro nos momentos difíceis. Nos irritamos. Conversamos. Nos compreendemos. Nos mudamos. Crescemos juntos. Tivemos ciúmes. Achamos fofo, e resolvemos. Nos respeitamos. Nos alegramos com o outro. Choramos juntos. Nos incentivamos a superar nossos medos, a desenvolver nossas habilidades. Superamos inseguranças. reconstruimos o conceito de "estar juntos". Rimos. Fomos felizes. Muito felizes. Em todo tempo, corremos lado a lado, ajustando os passos, compreendendo as limitações do outro, mas também deixando que cada um avançasse em sua própria velocidade quando necessário, sem nunca nos perdermos de vista. Sem nunca nos abandonarmos.
Mas eu estava prestes a cometer outra loucura. "Precisamos conversar". Estou confusa. É amor ou amizade? Não sei dizer! Deve ser insegurança. Quero ficar ao seu lado. Isso vai passar. Demos as mãos, continuamos juntos, agora sem correr, apenas caminhando lado a lado. Eu já não sabia mais viver sem ele. Eu já não sabia ser sem ele, que me ajudou a ser a melhor versão de mim. Por que tem que ser assim? Falávamos em casamento. Meu coração apertava. Por que? O que está errado? Nada. Tudo. O que fazer? Não posso casar assim. Nossa relação foi baseada em transparência. Preciso ser transparente. É melhor terminarmos. "O que? Por que?" Não sei. Só sei que sim. Cometi a maior loucura de todas: terminei com o amor da minha vida.
Ele me olhou fundo. Fez um chá, na xicará que eu lhe dei. Me abraçou e me confortou enquanto eu chorava, aos prantos. Que ser patético eu sou. Consolada pela própria pessoa que estou machucando. Ele sorriu. Segurava as lágrimas com a nobreza de um príncipe. "Quando quiser, por favor, volte". Fui embora. Carreguei os pedaços, o que sobrou de quem eu era. Entrei inteira, saí metade. Meu Deus, que dor insuportável! Por que eu estava fazendo aquilo? Disseram que o amor era simples! Nós tínhamos tudo... E ainda assim algo faltava. Por que? Por que? Trocamos mensagens. "Podemos voltar ao início? Só para viver esses três anos e meio novamente, mesmo sabendo que chegaria hoje..." ele escreveu. Meus cacos se reduziram ao pó. O que eu fiz pra merecê-lo?  Os dias passaram. Me acostumei com a dor da falta. Parei de chorar tanto. Algumas pessoas descobriram. Pra outras preferi não contar. Elas ainda perguntam "como você está?". Não sei. Apenas estou. Dia a dia tentando ajustar o passo, ganhar fôlego e recuperar o ar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Amor romântico e amor genuíno | Jetsunma Tenzin Palmo on romantic love


Em apenas 4 minutos, Jetsunma Tenzin Palmo nos agracia com uma das mais belas definições do que é o amor, o verdadeiro amor, que se difere do afeto. É uma lição que temos de aprender, relembrar e praticar todos os dias, até que de fato a compreendamos e passemos a vivê-la, enquanto verdade, enquanto naturalidade. É difícil superar essas palavras, quando elas já dizem tudo. Mas sempre vale refletir sobre.

Atualmente somos cercados por diversos mecanismos de controle e por uma confusão entre o real e o privado. Não conseguimos, por vezes, delimitar aquilo que é nosso, aquilo que é do outro; o que deve ser exposto, o que deve ser protegido e guardado. E os relacionamentos não escapam dessa bagunça. Cada vez mais parece que tentamos construir relacionamentos simbióticos, buscando sermos um só pensamento, um só passo, um só caminho, um só ser.  Confundimos o eu, o outro e o nós. Não que estar em concordância e ter determinadas metas e pensamentos em comuns não seja essencial, mas não devemos nos anular e nem querer que o outro se anule. Nesse ritmo, acabamos - as vezes até sem querer - querendo compartilhar (ou controlar?) as relações do outro, as conversas no facebook, no whatsapp, as mensagens, as ligações... Nos incomodamos até quando outra pessoa o faz rir. Acontece que ao longo de nossas vidas sonhamos com um modelo idealizado de par, alguém que irá suprir nossas necessidades, atender aos nossos desejos, e quando admitimos defeitos, até estes queremos ditar. Então nos deparamos com a realidade e nos frustramos. Essa mania de controle e de completude se transformam em ciúmes, brigas, choros... Então esperneamos, e mais uma vez nos despedaçamos. O que poderiam ser momentos de alegria, de compartilhamento, de experiência, de confiança se transforma em angústia, em sofrimento, em agonia. Quanta agonia, que a imaginação insiste em aguçar, insiste em transformar tragédia aquilo que os olhos não podem ver... Aquilo que não podemos controlar! Então mais uma vez não da certo. Os motivos são diversos, mas normalmente estão relacionados com a nossa incapacidade em desconstruirmos esse ideal e reconstruí-lo, a abrir espaço para novas possibilidades, diferentes formas de ser. Estão relacionados ao nosso desejo de controle, a nossa insegurança, a nossa ilusão de relacionamentos enquanto posse. Queremos que o outro atenda as nossas necessidades, e por vezes nos esquecemos de perguntar e nos questionar sobre quais são as deles. Vejo isso como característica da uma sociedade individual, que pensa no bem estar próprio sempre muito acima dos outros, que busca a própria felicidade... o tal do carpe diem. "Temos tão pouco tempo"... E através desse discurso é que se procura justificar muitas coisas. Esquecemos que amar é muito mais do que sentir, é muito mais do que suspirar e se encantar... Amor é escolha! Amor é ação. Amar é doar-se, é querer que esse outro seja feliz, independente se ao nosso lado ou não. O verdadeiro amor não busca os seus próprios interesses, já diz em 1ª Co 13. Antes de tudo, temos de olhar para o outro enquanto ser vivo, enquanto humano: ser que sonha, deseja, sofre, erra, tem vontades, momentos, emoções... Assim como nós! Devemos olhar para o outro enquanto SER LIVRE. Não devemos procurar a metade da nossa laranja, a tampa da nossa panela, não devemos nos enxergar enquanto metades, e nem aos outros enquanto tais! O que quero dizer é: não devemos esperar e procurar por alguém que preencha o vazio que existe em nós, que resolva nossos problemas e cure nossas mazelas. Quando fazemos isso nos destituímos da responsabilidade por nós mesmos, por quem somos e queremos ser. Abrimos mão da autonomia sobre nossa vida. Nos tornamos desnecessariamente frágeis. Simplesmente depositamos nossos sonhos, desejos e esperanças no outro, esquecendo de que ele é apenas humano... Tanto quanto nós. Precisamos então encontrar alguém que some conosco, que de alguma forma nos ajude nessa caminhada, mas enquanto parceiro, enquanto companhia! Alguém que esteja ao nosso lado porque quer, e não simplesmente porque "não teve escolha", já que não escolheu nos amar. Nenhum discurso me assusta tanto quanto esse! Remete a mim a ideia de prisioneiro, e não de viajante que para e se estabelece porque quer, porque decidiu que era hora! Ao nos relacionarmos que sejamos inteiros!

Precisamos aprender, portanto, que assim como afirma a guru Jetsunma Tenzin Palmo, amar não é segurar firme, forte e não deixar que escape... Quem tenta escapar é prisioneiro! Mas amar é deixar livre, para que vá, circule, e permaneça onde encontrar a felicidade! Precisamos confiar nesse amor, confiar nesse alguém que se coloca ao nosso lado. Eu sei que, ao nos depararmos com a realidade, com tantas histórias de traições, descasos, descuidos e frustrações, agir assim se torna mais difícil. Vivemos com o pé atrás, de termos encontrado lobo em pele de cordeiro. Mas a verdade é que também as frustrações fazem parte da vida... Não podemos controlá-las! Não devemos nunca nos culpar por confiar, por amar, por fazer o bem. Nem nos arrepender. Acredito que isso também faz parte do amor: se expor! E não podemos fugir disso. É verdade que com essa exposição nos sentimos vulneráveis, por vezes inseguros, e então queremos assumir o controle: garantir que o outro não vá nos machucar. E essa falta de privacidade só tem facilitado esse sentimento, essa ansiedade: sabemos quando alguém recebeu uma mensagem, quando a visualizou (e não respondeu), quando entrou na rede social, quantas horas faz desde que mexeu no celular pela última vez, etc. Isso quando não queremos saber com quem conversou, o que, quando, onde, porque. As vezes não percebemos que quem mais sofre com isso somos nós mesmos. Amar é confiar. Confiar que o outro cuidará do que você dá a ele. Mas não agarre com força... Deixa que flua! A decepção é uma possibilidade, mas a recuperação é ainda mais possível quando entendemos que o amor deixa ir e deixa livre, e escolhemos nos amar. Escolhemos ser amor. Quando escolhemos compartilhar com o outro esse amor, e não esperamos que ele o construa. Precisamos nos libertar e nos permitir ser livres. Precisamos nos permitir ser feliz!

Lanço a mim mesma um desafio: todo dia, escolher amar. Todo dia, escolher ser amor.



quinta-feira, 29 de maio de 2014

I'm a mess.

Decidi fazer uma visita a mim mesma. Encontrei uma bagunça. Avistei um amontoado de emoções, misturado com alguns desejos amassados e frustrações. Pelo chão estavam espalhados sonhos, meio desbotados, rasgados, alguns incompletos... Todos abandonados. Era possível enxergar estilhaços de confiança, algumas reduzidas a pó, refletindo medo e insegurança. Cestos abarrotados de palavras, algumas pela metade, emboladas, todas guardadas, não pronunciadas... Cheguei até a pensar que precisava de outros cestos para tantos não-ditos. A parede estava repleta de manchas, arranhões, remendos e sangrava um vermelho vivo. Em uma mesa encontrei saudade, algumas repousando ao ar livre, outras sufocadas em um pote, mas todas elas pulsando. Deparei-me ainda com um gato. Pequeno, magro e assustado, mas ainda lutando por si. Em outro canto encontrei a felicidade. Pobre menina, acorrentada a móveis velhos e em péssimo estado... Mal conseguia se mexer, gritava por socorro. As janelas tinham seus trincos quebrados e já não podiam se conectar. Onde eu estava? Perdida em algum lugar entre o real e a esperança. Acho que preciso começar a limpeza.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sobre o amor...

... e coisas que nem sempre a gente diz. 
Não existem assuntos tão subjetivos nesse mundo quanto aqueles que dizem respeito aos sentimentos, as emoções e aos sentidos. Entre palavras, conceitos e linhas tentamos objetivar os sentidos, concretizar os pensamentos, definir o indefinível. É claro que é preciso objetivar e conceituar certas experiências universais a fim de facilitar a vivência e sobrevivência. Como uma dor de barriga, por exemplo. Eu imagino uma criança que pela primeira vez sente uma dor de barriga e corre para a mãe, sem conseguir explicar o que tem. "Dói aqui, ta doendo minha barriga". E, como reza a lenda que mãe sabe de tudo, ela entende que seu filho está com uma dor de barriga, nomeia essa sensação para a criança e toma as devidas providências. Mas ainda que, pela experiência e pela mediação de outra pessoa mais experiente no assunto do que ela, essa criança aprenda o que é uma dor de barriga, ela ainda poderá ter várias intensidades, proporções, podendo ser sintoma dos mais diferentes tipos de acometimento: pode ser uma doença, uma intoxicação, uma indigestão ou pode ser uma cólica disfarçada. Mas isso ela vai aprender com o tempo, com a experiência, com a vida e, no seu conhecimento, vai saber dizer quando precisa apenas ir ao banheiro ou quando está intoxicada. Cada um conhece o corpo e as sensações que tem de maneira única, porque cada um sente e experiencia o mundo de forma única e subjetiva. Com o amor não seria diferente.
Nesse mundo com Disney e contos de fadas, a gente cresce ouvindo histórias com príncipes e princesas, que se apaixonaram a primeira vista, lutaram até a morte para estarem juntos e no fim, apesar das bruxas, armações, intempéries e obstáculos, eles ficam juntos e vivem felizes para sempre! Lindo, maravilhoso! Mas não esqueçamos dos romances adolescentes, em que o lindo casal, inicialmente meros conhecidos e/ou insuportáveis um ao outro, terminam juntos. Qual é mais provável? Eu digo que os dois. Sim, porque no amor não existem regras, não existem porques, não existem motivos... O amor acontece! Ele pode acontecer "à primeira vista", mas também pode levar anos até que seja descoberto. O amor é simples, eu não posso negar. Mas as vezes a gente esquece (e as histórias nem sempre contam) do quanto nós mesmos podemos contribuir para o seu crescimento... ou não. É que em alguns quesitos não dá pra discordar: o amor não é só sentimento, mas é escolha e é ação! É se permitir amar, é se permitir sentir, sofrer, lutar, gostar. É, na medida certa e necessária, se permitir mudar. É superar os medos, os questionamentos, as inseguranças. É verdade que quando se ama muito disso vem ao natural. Não pesa, não é penoso, não é monstruoso. É natural!
Não sou a pessoa mais romântica da terra, mas eu não posso negar que o amor tem um brilho especial, tem um olhar diferente... Há quem diga que muda até o brilho da pele da gente. Você tem amigos, então percebe que só ri à toa assim quando está com ele(a). Você já se apaixonou outras vezes e sabe que a paixão tem prazo de validade. Mas quando você perceber que aquela outra pessoa te faz, de alguma forma, de algum jeito, brilhar um pouco mais e agir, em alguns aspectos, de uma maneira particular, então você saberá dizer. O amor a gente sente. Por amor a gente escolhe. Por amor a gente age.
 Mas ninguém conta que por amor a gente também sofre, as vezes chora, se desentende, sente saudade. Nem sempre contam que da mesma forma que tem gente que exige um bilhetinho enquanto outros preferem apenas um beijinho, cada um tem sua própria forma de sentir. E por isso, nem sempre conseguimos enxergar quando isso acontece. Ou simplesmente não conseguimos nomear o que estamos sentindo: é amor ou amizade? É amor ou é paixão? Alguns amigos seus dirão que é amor, outros que você está confundindo... Outros ainda dirão que é viadagem. Mas o único que poderá saber é você! Mesmo que muitos sentimentos aflorem ao natural, a verdade é que algumas pessoas as vezes precisam de um empurrãozinho, uma dose de coragem e um punhado de vontade. No amor não existe certo, jeito errado... Existe apenas amar.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Sobre relações e diálogos

"Quem fala o que não deve, ouve o que não quer". Desde pequena eu aprendi a enfrentar meus problemas e meus medos de frente. Aprendi que para existir relação (seja de amor, de amizade, de companhia ou de convivência) é preciso que haja, no mínimo, duas pessoas. Levando isso em consideração, aprendi que uma relação constitui-se em uma via de mão dupla, o que resumidamente significa que você doa uma parte de si e recebe de outro alguém. Da mesma forma, toda relação é perpassada por diálogo. De maneira geral, um diálogo é baseado em uma conversa entre duas ou mais pessoas, por isso é perpassado por dois momentos: um momento de fala e um momento de escuta. Sem este último o diálogo é tudo, menos um diálogo, você pode chamar de monólogo, imposição, coação ou como preferir, mas não pode caracterizar isso como conversa. Em certos casos específicos eu gosto de chamar de covardia e imaturidade. Sim, porque é natural que existam desacordos e desavenças, é natural que existam divergências e ninguém é obrigado a gostar de ninguém. O que não é natural é achar que temos o direito de tirar conclusões precipitadas e tomar decisões e agir com base nelas... Não quando isso afeta um outro que não eu. O que não é natural é nos vestirmos com tal ar de superioridade e arrogância que nos achamos no direito de dizer a alguém simplesmente o que pensamos e achamos sobre determinada situação sem que antes demos ao outro a chance de ser compreendido. Ninguém tem a obrigação de gostar de ninguém, muito menos de aceitar algo ou alguém, mas respeito é um dever e não é falsidade. Respeito é reconhecer a condição humana e histórica de um outro, reconhecendo os direitos que também lhe são concedidos. Então eu caracterizo como covarde e imaturo qualquer um que se enxerga no direito de me dizer o que pensa a respeito do mundo ou à meu respeito, mas não abre espaço para que eu exponha os meus pensamentos. É covarde e imaturo qualquer um que se ache no direito de enfiar o dedo na minha cara e virar as costas no segundo em que termina de falar; é aquele que se intromete na caminhada de um outro alguém para dizer o que pensa sem a intenção de proporcionar crescimento e cuidado.  Sim, porque quem ama cuida, quem ama sofre junto, quem ama se opõe, diz o que pensa, adverte... Mas respeita!Eu caracterizo como covarde porque a verdade é que mais difícil do que ser sincero e dizer o que pensa é ouvir o que o outro tem a dizer a seu respeito, é ouvir sobre si o que você já sabe e teme que o outro tenha descoberto, é quando sabemos que estamos errados e existem evidências contra nós, afinal, já diz o ditado popular: quem não deve não teme. Então, se eu pudesse dar um conselho seria: se ainda não está pronto para ouvir, não fale... Não roube o direito de alguém de ser ouvido; preserve o seu de permanecer calado. Uma relação não consiste em omissão mas, como falei acima, em um diálogo! O que foge disso pra mim é monólogo e, sinceramente, eu tenho tédio a esse tipo de gente, e se essa for sua intenção, por favor, não me faça perder meu tempo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quanto custa um sonho?

Quando custa um sonho? Já diz o ditado popular que sonhar não paga (ainda bem)! Mas realizar sonhos tem seu preço... Normalmente eles custam tempo... Alguns segundos, uma hora, um dia, uma semana, um mês, alguns anos. Mas outras vezes eles custam algo mais. Um corte de cabelo, um momento, uma festa, uma amizade... uma família. Sonhos demandam atenção, cuidado e (sempre) tempo, mas principalmente escolhas. As vezes precisamos abdicar de algo para podermos conquistar outras coisas. Descobrimos então que sonhos custam algo, mas quem paga por eles? Você poderia se perguntar "mas como assim quem paga por eles? eu quem os construo, eu quem escolho, eu quem pago, é claro´". Mas, sinceramente, quem mais paga por eles? Seus amigos, seu chefe, seu colega de trabalho, seus pais, seu vizinho, seu cachorro, seu filho? Quem deixa de te ver, quem paga suas contas, quem te oferece suporte e apoio, quem está ao seu lado? Existe também uma diferença entre preço e valor: preço é o que cobram, valor é o quanto, de fato, aquilo vale. Valor, a meu ver, diria respeito a até onde estaríamos disposto a ir ou sacrificar por algo ou alguém. Então, eu pergunto, quanto vale seu sonho?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Todo mundo já teve de passar pelo dilema de perdoar alguém. Embora isso hora ou outra acabe acontecendo, a verdade é que ninguém perdoa pra fazer outra pessoa feliz ou por altruísmo. Tanto porque, aos nossos olhos, quando de alguma forma somos profundamente magoados o que mais queremos é justiça, ou seja, que no mínimo aquela pessoa sinta a dor que um dia nos causou. Mas então por que perdoar? Simples: é uma escolha inteligente. O rancor e a mágoa também são formas de nos prender a alguém, mas a verdade é que quanto mais guardamos esses sentimentos, mais nos tornamos reféns. Perdoar é uma forma de libertar-se, de seguir em frente. Não é apenas deixar que o outro siga seu caminho, é uma forma de nos permitir seguir o nosso: sem medo, sem "nóia", sem preocupações.