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"But if we're strong enough to let in we're enough to let it go" (Birdy)
Eu vou confessar: tem dia que a saudade aperta, me puxa do chão e vira do avesso.
E ela chega assim, sem dar sinais, sem avisar. Simplesmente aparece e se instala, sem se preocupar com convites formais ou o incomodo que pode causar. Vem mansinha, primeiro com as lembranças, reaviva as memórias e quando percebo, estamos juntas revendo as as fotos.

Ah saudade, a presença da ausência de tudo aquilo que não pôde ficar. É o que resta das escolhas que fizemos pelo caminho. É o passado se fazendo presente, nos relembrando do quanto sabemos sobre o futuro: nada, e menos ainda. Ela é o atestado de uma experiência boa, mas passageira; de amores gostosos, mas evanescentes. Ela é o lembrete das incertezas do viver.

E as vezes sussurra "só uma mensagem".
As vezes pede "vamos voltar atrás".
Em outras estremece "e agora?"
Não sei. Mas me render não é uma opção.

Dizem que nós som…

FIM.

"Acabei de levar um soco no estômago" foi como descrevi o que havia acontecido naquele momento. O incidente não ocorreu de fato, mas a sensação era similar (e me renderam 2 kg a menos). Meu estômago se embrulhou, e rapidamente senti minhas bochechas corarem com a inconformidade que tomava conta de mim.
Você nem sabia, mas poucos minutos antes eu pensava em como havia sido exigente, exagerada em meus desejos e na minha fantasia. Planejei uma maneira de lhe dizer o óbvio: que eu sentia muito, que você havia sido perfeito em todos os seus defeitos e eu estava enlouquecendo. Estava pronta pra reafirmar o quanto eu estava errada, o quanto aquilo doía, e novamente o quanto eu sentia muito. Lembrei do encontro que tivemos no dia anterior, ou devo dizer DESENCONTRO? O mesmo local de sempre tão igual e diferente. Ali eu já sabia: aquele mundo não mais me pertencia. Já não havia mais espaço pra mim. Eu me calei. Logo eu, sempre com tantas ideias, tantas palavras para serem ditas, tant…
How unfair it's just our luck
Found something real
That's out of touch
But if you'd search the whole wide world
Would you dare to let it go?
Já faz algum tempo desde o adeus mais crítico, mas por algum motivo eu simplesmente não consigo esquecer. Me pego pensando em todo o enredo da nossa história, do que foi e do que poderia ser. Me pego presa a lembrança de uma realidade que a cada dia se desvanece um pouco mais - e eu torço pra que ela se desfaça logo, se vá e leve consigo a dor, as lembranças, os rastros e as memórias. Na maior parte dos dias é fácil, não passa de uma vaga memória, mas em outros ela dói, principalmente frente as incertezas do "e se". Foram tantos sonhos abandonados, um vínculo quebrado e a dura certeza do caráter desconhecido do futuro e do "pra sempre". Irônico, não? Conheci os fantasmas que pairam sobre essa fantasia regida pelo sempre e o nunca, que correm em linhas paralelas mas de algum modo permanecem entrelaçados.
Hoje eu co…

We'll make a memory out of it

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Há alguns anos atrás cometi uma loucura. Me apaixonei pelo meu melhor amigo. Saímos pra correr. Ele atlético, eu fora de forma. Ele trotava tentando acompanhar minhas pernas curtas e passos lentos demais. Eu tentava fazer o ar chegar aos pulmões. Procurava fôlego."Acho melhor caminhar..." Ele riu. Vamos com calma. No seu tempo. Como você quiser. Mal sabia que essa forma de lidar comigo resumiriam os próximos 3 anos e meio. Como eu iria imaginar? Éramos apenas amigos. Saímos para jantar. Ele escolheu. Vai ser comida japonesa. Como se segura um hashi? Meu Deus, eu sou um desastre! Mas tudo bem, eu não me importava. Ele também não. Éramos próximos o suficiente pra não nos incomodarmos com esse tipo de coisa. Ficávamos a vontade na presença do outro. A noite passou rápido até demais. Rimos. Comemos. Conversamos. Nos divertimos. Mas a noite acabou. É hora da despedida. Te vejo amanhã! Então tchau. Espera... Não... Não a mesma despedida de sempre. Dessa vez com um beijo, um beijo …

Amor romântico e amor genuíno | Jetsunma Tenzin Palmo on romantic love

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Em apenas 4 minutos, Jetsunma Tenzin Palmo nos agracia com uma das mais belas definições do que é o amor, o verdadeiro amor, que se difere do afeto. É uma lição que temos de aprender, relembrar e praticar todos os dias, até que de fato a compreendamos e passemos a vivê-la, enquanto verdade, enquanto naturalidade. É difícil superar essas palavras, quando elas já dizem tudo. Mas sempre vale refletir sobre.
Atualmente somos cercados por diversos mecanismos de controle e por uma confusão entre o real e o privado. Não conseguimos, por vezes, delimitar aquilo que é nosso, aquilo que é do outro; o que deve ser exposto, o que deve ser protegido e guardado. E os relacionamentos não escapam dessa bagunça. Cada vez mais parece que tentamos construir relacionamentos simbióticos, buscando sermos um só pensamento, um só passo, um só caminho, um só ser.  Confundimos o eu, o outro e o nós. Não que estar em concordância e ter determinadas metas e pensamentos em comuns não seja essencial, mas não dev…

I'm a mess.

Decidi fazer uma visita a mim mesma. Encontrei uma bagunça. Avistei um amontoado de emoções, misturado com alguns desejos amassados e frustrações. Pelo chão estavam espalhados sonhos, meio desbotados, rasgados, alguns incompletos... Todos abandonados. Era possível enxergar estilhaços de confiança, algumas reduzidas a pó, refletindo medo e insegurança. Cestos abarrotados de palavras, algumas pela metade, emboladas, todas guardadas, não pronunciadas... Cheguei até a pensar que precisava de outros cestos para tantos não-ditos. A parede estava repleta de manchas, arranhões, remendos e sangrava um vermelho vivo. Em uma mesa encontrei saudade, algumas repousando ao ar livre, outras sufocadas em um pote, mas todas elas pulsando. Deparei-me ainda com um gato. Pequeno, magro e assustado, mas ainda lutando por si. Em outro canto encontrei a felicidade. Pobre menina, acorrentada a móveis velhos e em péssimo estado... Mal conseguia se mexer, gritava por socorro. As janelas tinham seus trincos qu…

Sobre o amor...

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... e coisas que nem sempre a gente diz.  Não existem assuntos tão subjetivos nesse mundo quanto aqueles que dizem respeito aos sentimentos, as emoções e aos sentidos. Entre palavras, conceitos e linhas tentamos objetivar os sentidos, concretizar os pensamentos, definir o indefinível. É claro que é preciso objetivar e conceituar certas experiências universais a fim de facilitar a vivência e sobrevivência. Como uma dor de barriga, por exemplo. Eu imagino uma criança que pela primeira vez sente uma dor de barriga e corre para a mãe, sem conseguir explicar o que tem. "Dói aqui, ta doendo minha barriga". E, como reza a lenda que mãe sabe de tudo, ela entende que seu filho está com uma dor de barriga, nomeia essa sensação para a criança e toma as devidas providências. Mas ainda que, pela experiência e pela mediação de outra pessoa mais experiente no assunto do que ela, essa criança aprenda o que é uma dor de barriga, ela ainda poderá ter várias intensidades, propor…