segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O tempo havia passado, mais do que eu calculara.Virei de imediato para me despedir e, pela primeira vez em muito tempo, eu realmente fui pega de surpresa. Era como se ele já estivesse calculando tudo, só esperando uma oportunidade.
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Era um dia quente e ensolarado quando o avião pousou. O piloto anunciara a temperatura: 30º. Eu estava ali apenas de passagem, minha estadia não duraria mais do que 1h e isso me deixava ainda mais ansiosa. Cada minuto deveria ser muito bem aproveitado. Desci do avião e me segurei para não sair correndo até o portão de desembarque. Qual não foi minha surpresa quando, ao atravessá-lo, não avistei nenhum rosto amigo. Ele não estava esperando como eu imaginei - pra não dizer idealizei - que seria. Sentei-me em um banco proximo a porta de entrada do aeroporto e meus olhos alternavam desesperadamente entre ela e o relógio. "Cadê você?" perguntei por sms, fingindo pouco caso. "Já estou chegando" ele respondeu. Torci para que isso realmente fosse verdade.
Encostei no banco fingindo serenidade, mas em vão já que, inquietas, minhas pernas me denunciavam. De repente, ao girar minha cabeça de um lado para o outro eu o avistei. Meu coração começou a bater descompassadamente, um sorriso se estampou em meu rosto e eu paralisei, sem saber se ajudava-o a encurtar a distância entre nós ou o deixava fazê-lo sozinho. Optei pela segunda opção, ou melhor, não tive escolha, já que mal conseguia pensar. Vi meu sorriso refletido em seu rosto exibindo a mesma felicidade que morava em mim. Nos cumprimentamos com um abraço e um beijo no rosto, mas com os olhos sempre fixos, sempre decifrando um ao outro.
Ele logo começou a se desculpar pela demora mas eu não conseguia pensar em mais nada a não ser no quanto me sentia feliz por estar ali. Conversamos um pouco e então ele pediu que eu o acompanhasse até seu carro, no estacionamento, pois esquecera meu presente lá.
Na volta, andando lado a lado, sua mão se encontrou e entrelaçou a minha. Me senti na descida de uma montanha russa e minha barriga parecia estar cheia de borboletas. Sem pensar, respondi segurando e apertando sua mão, quase como um pedido de que ele nunca mais a soltasse. As palavras eram desnecessárias, nossos gestos falavam por si mesmos. Sentamos então em uma cafeteria e conversamos por alguns minutos; mal vimos o tempo passar.
Ao subir para a entrada da sala de embarque, procurei meu voo na tela de horários e levei um susto quando vi que ele já se encontrava em última chamada. Um desespero tomou conta de mim e a única coisa que eu conseguia pensar era que precisava correr ou perderia o voo. Virei de imediato para me despedir e, pela primeira vez em muito tempo, eu realmente fui pega de surpresa. Era como se ele já estivesse calculando tudo, só esperando uma oportunidade.
Assim que virei para me despedir, sua boca encontrou a minha e, com um sutil movimento, seus braços me entrelaçaram e puxaram para mais perto. Não resisti, apenas me deixei levar pelo momento. Eu mal conseguia pensar e o tempo parecia ter parado... Mas eu sabia que só parecia. Lembrando-me do horário, o empurrei delicadamente, olhei em seus olhos e eles refletiam uma alegria que palavras não conseguiriam descrever. Sorrimos mutuamente, sabendo que todos aqueles sentimentos eram compartilhados e recíprocos. "Eu te amo" sussurrei. "Eu também" ele respondeu, curvando mais ainda os cantos da boca para cima.
Sem conseguir dizer mais nenhuma palavra e contra a minha vontade, corri até o portão da sala de embarque. Coloquei minhas coisas na esteira, para passarem pelo raio-X e, antes que eu as pegasse de volta, olhei uma última vez para trás. Ele estava parado, no mesmo lugar, com os braços cruzados e me encarando. Trocamos um ultimo sorriso, um último olhar... Então peguei minhas coisas e voltei a correr para não perder o avião.

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