quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2011

 Final de ano vem sempre acompanhado de recordações.
 Começamos a relembrar tudo o que vivemos no ano que se passou, o que fizemos ou deixamos de fazer, o quanto amamos, abraçamos, choramos, rimos, caímos, levantamos. Para muitos, é o único momento em que param para fazer um balanço geral da pessoa que é. As lembranças são sempre acompanhadas de esperança, visando mudar tudo no ano que está por vir, ou manter o que com muito esforço foi conquistado. É quando surgem as inúmeras promessas, que nem sempre são cumpridas.
  Apesar de fazer parte, acho que não é hora de ficar se gabando ou choramingando pelos seus feitos. Relembre tudo sim, mas continue olhando para frente.
 É como escrever um livro em uma máquina de datilografar: não é porque a linha acabou que você vai esquecer o que escreveu e começar de novo. Você simplismente empurra o rolo de volta para o começo da proxima linha e continua a escrever a história. Você não vai deixar o que aconteceu de lado e começar tudo de novo, apenas dar continuação a história e se esforçar pra faze-lá, a cada letra, ainda melhor.
Se é pra desejar algo para o ano que está chegando eu desejo que vocês vivam cada momento intensamente.
Que deixem a ansiedade e preocupação no final dessa linha e iniciem a próxima dando um passo de cada vez.
Desejo que vocês saibam aproveitar os pequenos prazeres da vida, viver cada alegria e preocupação em seu devido momento.
Desejo sabedoria pra todas as horas.
Que vocês sonhem, mas acima disso, realizem!
Feliz ano novo e que Deus esteja com todos vocês!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reencontro.

Eles não se viam há anos. Foi quase um choque quando se encontraram.
Era uma sexta-feira, ela estava sentada em uma mesa do lado de fora da cafeteria lendo um livro quando uma voz quebrou sua concentração:
- Com licença, Senhorita. Desculpe incomodá-la, mas eu te conheço de algum lugar.
 Ela conhecia aquela voz, aquele sotaque. Sem se conter, elevou a face e, com uma voz divertida, respondeu:
- Eu tenho certeza que sim.
Os dois abriram um largo sorriso. Muito tempo já se passara desde a última vez em que estiveram juntos. Ela o convidou a se sentar e ele assim o fez, se esquecendo dos compromissos que tinha. Conversaram por pouco menos de uma hora, estavam tão empolgados que nem viram o tempo passar. Ele logo teve que ir embora, mas, sabendo que ela partiria em 2 dias, convidou-a para jantar no dia seguinte para 'colocarem a conversa em dia'. Entusiasmada, logo respondeu que sim.
 Ele pegou ela as 20h e a levou para o melhor restaurante da cidade. Ambos estavam ansiosos, sentiam borboletas se movendo em suas barrigas e uma alegria inexplicável, por algum motivo sentiam-se assim apenas na presença um do outro, nem eles sabiam explicar. Talvez fosse resquício da história de amor que compartilharam... mas isso já fazia tanto tempo, já deviam ter superado.
Conversaram a noite toda. Mesmo após anos, ainda era tão fácil permanecer na presença um do outro, era incrível como ficavam bem juntos... O que deu errado? No meio de novidades e brincadeiras, começaram a relembrar a época em que namoraram. As promessas, risadas, loucuras, viagens.. Por um momento, sem que o outro tivesse conhecimento, desejaram viver tudo aquilo de novo. Ele, todo emoção, desejava se entregar e dizer tudo o que sentia naquele momento, mas se conteve... não tinha coragem suficiente. Ela, toda razão, decidiu que aquilo não passava de emoções e não se deixaria levar por elas.
 A noite passou mais rápido do que desejavam.
 Ele levou-a para o hotel. Ela iria embora no dia seguinte, bem cedo. Muito educado, ofereceu-se para levá-la até o aeroporto.
- Não quero incomodá-lo - afirmou contrariada.
- Estar com você nunca é incômodo, será um prazer - ele rebateu. Suas palavras não mentiam, no fundo ele queria passar mais tempo com ela, queria 'gastar' mais tempo com a mulher que foi o amor de sua vida e, que descobriu recentemente, ainda é. Meio hesitante, ela concordou.
 Ele pegou-a uma hora antes do voo: o aeroporto ficava à 20 min. do hotel. Fizeram todo o trajeto praticamente em silêncio. Não conseguiam falar, imaginar dizer adeus de novo, foi tão difícil da última vez.
 Ao chegarem no aeroporto, não puderam mais adiar:
- Então, acho que é isso - ela falou tentando quebrar o silêncio.
- Pois é.
- Foi muito bom te ver.
- Eu digo o mesmo.
- Obrigada pelo jantar, havia me esquecido como é bom estar com você... - ela controlava as palavras para não dizer mais do que devia.
- Como você esquece disso? Pensei que eu fosse inesquecível!! - ele brincou. Eles riram - Foi um prazer, me avise quando vier pra cá de novo pra podermos conversar mais...
- Vou pensar no seu caso - ela sorriu - Obrigada por tudo.
- Não precisa agradecer.
Se cumprimentaram com um breve abraço. Lágrimas começavam a se formar no olhos dele com o pensamento de que poderia passar anos sem vê-la novamente. Ela fingiu não notar, sem dizer nada virou-se, mas antes que pudesse se afastar consideravelmente, sentiu algo lhe puxar pelo braço e, quando percebeu, estava envolvida nos braços dele e seus rostos se encontravam a poucos centímetros de distância. Era possível sentir o coração dos dois batendo descompassadamente juntos, a respiração acelerada. Os olhos se encontraram dizendo tudo o que o medo não permitiu dizer. Se aproximaram até que suas bocas se encontraram.
Eles se amavam e tempo nenhum mudaria isso.