sábado, 8 de outubro de 2011

Entre o viver e o existir

   Não há dúvidas de que a vida é uma graça e um presente do qual Deus - para os que acreditam e mesmo os que não acreditam, Ele continuará existindo - nos permitiu desfrutar. Como canta Rogério Flausino em "Do seu lado": "viver é uma arte, é um ofício só que precisa cuidado". E muito cuidado. Oscar Wilde ainda afirma que "viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe".
  Muitas são as teorias, textos, livros e frases que falam sobre a vida, sua grandeza, magnitude e formosura, mas todos sabemos que além disso, viver pode ser mais complicado ou simples do que parece. Mas o que procuro tratar aqui não é definir o que é a vida, solucionar problemas, dizer como deve ser tratada, mas menos do que tudo isso, meu objetivo é expressar uma opinião.
  Não é segredo e nem uma dúvida de que a nossa sociedade é inflingida e dirigida por regras. As leis são antigas, existentes desde a época da Antiga Grécia, anterior até mesmo ao advento da escrita. Mesmo os animais mais primitivos sempre demonstraram uma organização e hierarquia. Isso porque para haver convívio em grupo e, posteriormente, social, é necessário determinar certos padrões e caminhos a serem seguidos de forma a evitar conflitos. Sendo assim, desde a formação dos primeiros grupos até os dias de hoje, somos bombeardos e rodeados por milhares de regras que foram sendo redigidas, impostas, criadas e aprimoradas com o passar da existência humana. São de classe moral, formal, de etiqueta, de convívio, de obrigação...  por aí vai.
   A questão é que são tantas as normas que devemos seguir, que chega um momento em que nos questionamos, revoltamos e stressamos diante das situações. Tudo porque apesar de organizarem o convívio social, essas imposições não excluem os sentimentos e vontades que guardamos em cada um de nós. A sociedade em que vivemos que o diga: somos apresentados a milhares de informações simultaneamente e a variedade de opções com a qual nos defrontamos nos levam, muitas vezes, a um debate entre o poder e o querer, gerando confusão e a existência (existência, invenção ou descoberta?) de síndromes e doenças psicológicas em um número cada vez maior. Muitas são as teorias que a psicologia, neurologia e a biologia inventam e buscam para explicar esses fenômenos e resolvê-los.
  Mas não é o que pretendo abordar, e sim até onde estamos vivendo, agindo como seres ativos na construção da nossa caminhada e até onde estamos apenas existindo, reproduzindo normas, verdades e pensamentos que nos foram impostos.
  Não estou dizendo que não devam existir leis e regras, mas que elas não devem, em todos os casos, ser uma obrigação. É claro que não há contra argumento para uma lei que penaliza um caso de homicídio. Mas o que quero dizer é que se queremos seguir certos princípios e adotar certas morais precisamos ao menos saber porquê fazê-lo, quais são nossas razões, caso contrário, tudo se perde em uma ação de obrigatoriedade sem sentido e que, hora ou outra, nos leva a loucura.
  Não defendo também que devemos fazer tudo o que queremos, a todo momento, toda hora, caso contrário nós mesmos poderíamos causar nossa própria morte ou a de outros. Apenas digo que conheçamos nossos motivos para evitar certas coisas, sem que façamos isso por outra pessoa, ou uma instituição, ou grupo, apenas porque nos é imposto.