segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Na manhã de ontem eu acordei como em todos os dias: me chutando para fora da cama e tendo como maior preocupação realizar as atividades diárias (banho, escovar os dentes, comer,...) e responsabilidades necessárias (faculdade, volta às aulas,...). Mas como sempre, pra não perder o costume, dei uma passada no facebook pra ver o que acontecia. E fuçando em um facebook aqui, outro ali, me deparei com o comentário de um amigo, na página de outro amigo (que eu desconhecia), que dizia procurar por outro amigo. Minha curiosidade foi mais a fundo, e fiquei surpresa ao descobrir notícias de que uma boate, em Santa Maria, no RS, havia pegado fogo nessa madrugada. Mas essa era só a ponta do iceberg. As notícias estampavam o resultado da tragédia: 245 mortos e 48 feridos. Pensei nos milhares de jovens que ali estavam, e me doeu mais ao pensar na dor dos pais, que acordaram de manhã, sem seus filhos em casa, tentaram contatá-los, e se depararam com essa notícia. Pensei no desespero e me sensibilizei mais ainda ao ver relato dos bombeiros sobre as vítimas que não conseguiram sobreviver ao incidente e tinham seus corpos estirados no chão de um Ginásio: "os celulares não param de tocar nos bolsos das pessoas mortas e isso está doendo na gente", "Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu", acrescentou em seu texto Fabrício Carpinejar. Não bastasse a informação indigesta, tudo fica ainda mais repugnante e chocante ao se deparar com depoimentos de pessoas que estavam lá dentro, e conseguiram sair, de que os seguranças barravam as portas e impediam as pessoas de saírem, porque "antes elas deveriam pagar a comanda". Então agora é isso o que está valendo uma vida: uma comanda? Quantos sonhos desmoronados, quantos futuros despedaçados, quantas famílias destroçadas. Talvez muitas pessoas parem pra pensar em suas vidas, pensar que poderia ter sido você, pensar na dor de não dizer adeus a alguém que se ama, e é sempre bom considerar isso, nossa conduta em todos os dias. Mas hoje eu só consigo pensar na dor dessas famílias, na crueldade de quem bloqueou as saídas e em quantas mortes não poderiam ter sido evitadas nessa fatalidade, que também foi fruto de atitudes inconsequentes e irresponsáveis. Não que valha muito, mas fica aqui a minha indignação e solidariedade para todos que perderam parentes, filhos e amigos. Que Deus possar estar consolando o coração de cada um.

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