segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sobre o amor...

... e coisas que nem sempre a gente diz. 
Não existem assuntos tão subjetivos nesse mundo quanto aqueles que dizem respeito aos sentimentos, as emoções e aos sentidos. Entre palavras, conceitos e linhas tentamos objetivar os sentidos, concretizar os pensamentos, definir o indefinível. É claro que é preciso objetivar e conceituar certas experiências universais a fim de facilitar a vivência e sobrevivência. Como uma dor de barriga, por exemplo. Eu imagino uma criança que pela primeira vez sente uma dor de barriga e corre para a mãe, sem conseguir explicar o que tem. "Dói aqui, ta doendo minha barriga". E, como reza a lenda que mãe sabe de tudo, ela entende que seu filho está com uma dor de barriga, nomeia essa sensação para a criança e toma as devidas providências. Mas ainda que, pela experiência e pela mediação de outra pessoa mais experiente no assunto do que ela, essa criança aprenda o que é uma dor de barriga, ela ainda poderá ter várias intensidades, proporções, podendo ser sintoma dos mais diferentes tipos de acometimento: pode ser uma doença, uma intoxicação, uma indigestão ou pode ser uma cólica disfarçada. Mas isso ela vai aprender com o tempo, com a experiência, com a vida e, no seu conhecimento, vai saber dizer quando precisa apenas ir ao banheiro ou quando está intoxicada. Cada um conhece o corpo e as sensações que tem de maneira única, porque cada um sente e experiencia o mundo de forma única e subjetiva. Com o amor não seria diferente.
Nesse mundo com Disney e contos de fadas, a gente cresce ouvindo histórias com príncipes e princesas, que se apaixonaram a primeira vista, lutaram até a morte para estarem juntos e no fim, apesar das bruxas, armações, intempéries e obstáculos, eles ficam juntos e vivem felizes para sempre! Lindo, maravilhoso! Mas não esqueçamos dos romances adolescentes, em que o lindo casal, inicialmente meros conhecidos e/ou insuportáveis um ao outro, terminam juntos. Qual é mais provável? Eu digo que os dois. Sim, porque no amor não existem regras, não existem porques, não existem motivos... O amor acontece! Ele pode acontecer "à primeira vista", mas também pode levar anos até que seja descoberto. O amor é simples, eu não posso negar. Mas as vezes a gente esquece (e as histórias nem sempre contam) do quanto nós mesmos podemos contribuir para o seu crescimento... ou não. É que em alguns quesitos não dá pra discordar: o amor não é só sentimento, mas é escolha e é ação! É se permitir amar, é se permitir sentir, sofrer, lutar, gostar. É, na medida certa e necessária, se permitir mudar. É superar os medos, os questionamentos, as inseguranças. É verdade que quando se ama muito disso vem ao natural. Não pesa, não é penoso, não é monstruoso. É natural!
Não sou a pessoa mais romântica da terra, mas eu não posso negar que o amor tem um brilho especial, tem um olhar diferente... Há quem diga que muda até o brilho da pele da gente. Você tem amigos, então percebe que só ri à toa assim quando está com ele(a). Você já se apaixonou outras vezes e sabe que a paixão tem prazo de validade. Mas quando você perceber que aquela outra pessoa te faz, de alguma forma, de algum jeito, brilhar um pouco mais e agir, em alguns aspectos, de uma maneira particular, então você saberá dizer. O amor a gente sente. Por amor a gente escolhe. Por amor a gente age.
 Mas ninguém conta que por amor a gente também sofre, as vezes chora, se desentende, sente saudade. Nem sempre contam que da mesma forma que tem gente que exige um bilhetinho enquanto outros preferem apenas um beijinho, cada um tem sua própria forma de sentir. E por isso, nem sempre conseguimos enxergar quando isso acontece. Ou simplesmente não conseguimos nomear o que estamos sentindo: é amor ou amizade? É amor ou é paixão? Alguns amigos seus dirão que é amor, outros que você está confundindo... Outros ainda dirão que é viadagem. Mas o único que poderá saber é você! Mesmo que muitos sentimentos aflorem ao natural, a verdade é que algumas pessoas as vezes precisam de um empurrãozinho, uma dose de coragem e um punhado de vontade. No amor não existe certo, jeito errado... Existe apenas amar.

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