Sobre relações e diálogos

"Quem fala o que não deve, ouve o que não quer". Desde pequena eu aprendi a enfrentar meus problemas e meus medos de frente. Aprendi que para existir relação (seja de amor, de amizade, de companhia ou de convivência) é preciso que haja, no mínimo, duas pessoas. Levando isso em consideração, aprendi que uma relação constitui-se em uma via de mão dupla, o que resumidamente significa que você doa uma parte de si e recebe de outro alguém. Da mesma forma, toda relação é perpassada por diálogo. De maneira geral, um diálogo é baseado em uma conversa entre duas ou mais pessoas, por isso é perpassado por dois momentos: um momento de fala e um momento de escuta. Sem este último o diálogo é tudo, menos um diálogo, você pode chamar de monólogo, imposição, coação ou como preferir, mas não pode caracterizar isso como conversa. Em certos casos específicos eu gosto de chamar de covardia e imaturidade. Sim, porque é natural que existam desacordos e desavenças, é natural que existam divergências e ninguém é obrigado a gostar de ninguém. O que não é natural é achar que temos o direito de tirar conclusões precipitadas e tomar decisões e agir com base nelas... Não quando isso afeta um outro que não eu. O que não é natural é nos vestirmos com tal ar de superioridade e arrogância que nos achamos no direito de dizer a alguém simplesmente o que pensamos e achamos sobre determinada situação sem que antes demos ao outro a chance de ser compreendido. Ninguém tem a obrigação de gostar de ninguém, muito menos de aceitar algo ou alguém, mas respeito é um dever e não é falsidade. Respeito é reconhecer a condição humana e histórica de um outro, reconhecendo os direitos que também lhe são concedidos. Então eu caracterizo como covarde e imaturo qualquer um que se enxerga no direito de me dizer o que pensa a respeito do mundo ou à meu respeito, mas não abre espaço para que eu exponha os meus pensamentos. É covarde e imaturo qualquer um que se ache no direito de enfiar o dedo na minha cara e virar as costas no segundo em que termina de falar; é aquele que se intromete na caminhada de um outro alguém para dizer o que pensa sem a intenção de proporcionar crescimento e cuidado.  Sim, porque quem ama cuida, quem ama sofre junto, quem ama se opõe, diz o que pensa, adverte... Mas respeita!Eu caracterizo como covarde porque a verdade é que mais difícil do que ser sincero e dizer o que pensa é ouvir o que o outro tem a dizer a seu respeito, é ouvir sobre si o que você já sabe e teme que o outro tenha descoberto, é quando sabemos que estamos errados e existem evidências contra nós, afinal, já diz o ditado popular: quem não deve não teme. Então, se eu pudesse dar um conselho seria: se ainda não está pronto para ouvir, não fale... Não roube o direito de alguém de ser ouvido; preserve o seu de permanecer calado. Uma relação não consiste em omissão mas, como falei acima, em um diálogo! O que foge disso pra mim é monólogo e, sinceramente, eu tenho tédio a esse tipo de gente, e se essa for sua intenção, por favor, não me faça perder meu tempo.

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FIM.